E a Vida Continua

sexta-feira, 28 de setembro de 2012

Algumas Receitas Saudáveis

Bolo de milho verde light

Muito fofinho; ele desbanca a receita com fubá

POR MINHA VIDA - ATUALIZADO EM 19/04/2012

Bolo de milho verde

Ingredientes:

6 unidades de espiga de milho limpa
10 colheres de sopa de açúcar
1 xícara de chá de farinha de trigo peneirada
4 unidades de clara de ovo
1 xícara de chá de leite em pó desnatado
1/3 copo americano de leite de vaca desnatado
½ colher de chá de fermento.

Modo de Preparo:

Ralar as espigas de milho e peneirar. Misturar o conteúdo que passou pela peneira com o açúcar, o leite em pó desnatado e o leite de vaca desnatado, gradativamente. Acrescentar a farinha de trigo, misturada ao fermento em pó e reservar. Bater as claras em neve e juntar a massa às claras. Colocar em forma de 25 cm de diâmetro, untada e polvilhada. Assar em forno médio (180 ºC) por 60 minutos. Cada fatia tem 80 calorias.
www.minhavida.com.br

Algumas Receitas Saudáveis

Bolo de limão com iogurte

Essa receita proporciona um lanche macio e delicioso

POR MINHA VIDA - PUBLICADO EM 08/04/2008

Bolo de limão - Imagem meramente ilustrativa

Ingredientes:

2 gemas
1 xícara (chá) de adoçante culinário em pó
4 colheres (sopa) de azeite de oliva espanhol
1 xícara (chá) de farinha de trigo
2 colheres (chá) de fermento em pó
2 colheres (sopa) de maisena
½ xícara (chá) de iogurte desnatado
6 claras
2 colheres (sopa) de suco de limão
1 colher (sopa) de raspas de casca de limão

Modo de Preparo:

Bata por 3 minutos na batedeira as gemas com a metade do adoçante e o azeite de oliva (reserve 3 colheres das de chá). Sem parar de bater, adicione a farinha de trigo peneirada com o fermento e a maisena, alternando com o iogurte. Misture com cuidado 2 claras em neve.  Com o azeite de oliva reservado, unte uma assadeira (22 cm x 22cm), enfarinhe e despeje a massa. Leve ao forno preaquecido em temperatura média (180ºC) por 17 minutos ou até que enfiando um palito no bolo ele saia limpo. Retire do forno, desenforme e reserve.  Coloque em uma panela o restante das claras e do adoçante. Junte o suco de limão e as raspas de casca de limão. Leve ao fogo, sem parar de mexer, até aquecer. Retire do fogo, transfira para a tigela da batedeira e bata por 10 minutos ou até obter um merengue.

Montagem:

Arrume os pedaços de bolo nos pratos, cubra com o merengue e decore com raspas de casca de limão e folhas de hortelã.
http://www.minhavida.com.br

Algumas Receitas Saudáveis

Bolo de cenoura da vovó

A receita é perfeita para acompanhar uma conversa durante a tarde

POR MINHA VIDA - ATUALIZADO EM 24/05/2010

Bolo de cenoura - Imagem meramente ilustrativa

Ingredientes:

1/2 xícara (chá) de óleo
3 cenouras médias raladas
4 ovos
2 xícaras (chá) de açúcar
2 1/2 xícaras (chá) de farinha de trigo
1 colher (sopa) de fermento em póPara a cobertura
1 colher (sopa) de manteiga

Para a Cobertura:

3 colheres (sopa) de chocolate em pó ou achocolatado
1 xícara (chá) de açúcar
5 colheres (sopa) de leite

Modo de Preparo:

Bata todos os ingredientes no liquidificador. Primeiro a cenoura com os ovos e o óleo, depois os outros ingredientes, menos o fermento. O fermento deve ser misturado lentamente com uma colher. Asse em forno pré aquecido (180°C) por 40 minutos.  Misture o chocolate, o açúcar e o leite, leve ao fogo, faça uma calda e coloque por cima do bolo.

Informações nutricionais por porção:

Rendimento: 12 pedaços
Calorias: 368,6 kcal
Carboidratos: 64,9g
Proteínas: 4,5g
Gorduras: 9,9g
 Enviada por: Thais Bastos Padilha
Tempo de preparo: 20 minutos
Tempo de cozimento: 40 minutos
Tempo total: 1 hora

quinta-feira, 27 de setembro de 2012

Artigo - Desencarnação


A desencarnação é a certeza futura que temos

Quando pessoa querida desencarna é crucial resignar-nos, observando no fenômeno da “morte” a manifestação da Lei de Deus que governa a vida. A desencarnação é a única certeza futura que temos. Todos passaremos por essa provisória despedida. Não há como tapearmos o pensamento a respeito desse impositivo da natureza. Em face disso, permitamos que o pensamento sobre a “morte” componha de forma ininterrupta e serena nossos estados mentais, reflexão sem a qual estaremos desaparelhados, ou para o regresso inevitável ou despreparados para arrostarmos com quietação a “morte” dos nossos entes queridos.
Compreendemos que “nenhum sofrimento, na Terra, será talvez comparável ao daquele coração que se debruça sobre outro coração regelado e querido que o ataúde transporta para o grande silêncio. Ver a névoa da morte estampar-se, inexorável, na fisionomia dos que mais amamos, e cerrar-lhes os olhos no adeus indescritível, é como despedaçar a própria alma e prosseguir vivendo.” (1)
Em verdade, depois do desenlace, sobrevém ao “falecido” um período de inquietação transitória, variando obviamente de espírito a espírito, consoante seu talhe moral, mormente no que tange ao desprendimento das coisas materiais. Em verdade, nem todo Espírito se desune imediatamente da carcaça biológica. Entretanto, em qualquer circunstância, jamais escasseará o socorro espiritual, sobretudo aos que fazem jus, proporcionado pelos bons espíritos. É como elucidou Jesus: "Em verdade vos digo que, se alguém guardar a minha palavra, nunca verá a “morte”." (2)
Quando a desencarnação de ente amado nos bata à porta, dominemos o desespero e dissolvamos a corrente da aflição no manancial da prece, porquanto os desencarnados são tão somente ausentes e os pingos de nossas lágrimas lhes açoitam a consciência como chuva de fel. “Eles pensam e lutam, sentem e choram, inquietam-se pelos que ficam. Ouvem-nos os gritos e as súplicas, na onda mental que rompe a barreira da grande sombra e tremem cada vez que os laços afetivos da retaguarda se rendem à inconformação.” (3)
O luto (4) pode variar muito dependendo das pessoas, do tipo de “morte” e da cultura, mas que o caminho mais comum é entender que a pessoa partiu e redefinir a vida com a ausência do ente querido. Uma das teorias mais consagradas para elucidar a reação humana durante o luto é a dos “cinco estágios”, desenvolvida pela psiquiatra suíça e reencarnacionista Elizabeth Kübler-Ross, em 1969. Segundo Kübler-Ross, até superar uma perda, as pessoas enlutadas passam por fases sucessivas de negação, raiva, barganha, depressão e aceitação. Cerca de 50% das pessoas lidam muito bem com a “perda” e volta à vida normal em semanas. Apenas 15 % de enlutados desenvolvem graves dificuldades que afetam a convivência social, possivelmente porque o “aceitar perdas”, especialmente aquelas referentes aos sentimentos, é enormemente complexo e trabalhoso para tais pessoas.
Se o luto não é essencialmente tão insuportável quanto se concebia, e se a maior parte dos enlutados conseguem suplantar bem uma “perda”, por que razão algumas pessoas não conseguem superar o trauma? Pois os 15% atravessam anos sobrevivendo como nos primeiros e mais complicados períodos do luto. Essas pessoas não conseguem retomar a vida. Cultuam a dor, em uma espécie de luto crônico, chamado pelos psiquiatras de “luto patológico” ou “luto complicado”.

Transportando o sentimento para a família, o luto pode provocar uma grave crise doméstica, pois exige a tarefa de renúncia, de excluir e incluir novos papéis na cena familiar. Sigmund Freud, em “Luto e Melancolia”, remete-nos para ponderações razoáveis sobre o desencadear patológico da “perda” afetiva pela desencarnação. Entre suas teses, o pai da psicanálise assegura que o luto é a resposta emocional benéfica, adequada para a ocorrência da “perda”, já que há necessidade do enlutado de reconhecer a “morte” como evento, como realidade que se apresenta e que naturalmente suscita constrangimento. O “pai da psicanálise” afiança que na melancolia o enlutado identifica-se com o morto e, ao deparar com essa “perda”, a pessoa entende que parte dela também está indo; há uma identificação patológica com o “de cujus”. Vemos então que no enlutamento melancólico há o que Freud chama de estado psicótico, em que o ego não suporta essa ruptura e adoece gravemente.
A revelação Espírita demonstra que “morte” física não é o extermínio das aspirações e anseios no bem, porém o ingresso para a existência autêntica, para a vida real. Sim! A existência física é ilusória, fugaz, transitória demais. A separação do corpo pela “morte” não é uma anomalia da natureza. Simplesmente transfere-se da dimensão física, para o sítio espiritual.
O chamado morto jaz na ligação pelo pensamento, de modo que ele captura as orações que lhe forem direcionadas e se sentirá apoiado com isso. Da mesma forma ficará descansado sabendo que os familiares estão resignados e trabalhando para que a vida terrena continue sem sobressaltos. Não olvidemos que em futuro mais próximo que imaginamos respiraremos entre os falecidos, comungando-lhes as necessidades e os problemas, porquanto terminaremos também a própria viagem no mar das provas terrenas.
Quando a saudade é dolorida, há os que buscam a instituição espírita para obter informações do finado, porém, nem sempre é possível obterem-se notícias sobre os parentes desencarnados; para tanto é necessário que eles tenham condições morais e a permissão dos Bons Espíritos. Mas, para abrando de alguns, existem episódios em que os saudosos poderão ter encontros com seus entes queridos no plano espiritual; isso poderá ocorrer durante o sono, quando os Benfeitores permitem essas aproximações, a fim de que sobrevenha renovação de ânimo entre encarnados e desencarnados.
De qualquer modo, o tema “morte” ainda se revela assunto quase inteiramente incompreendido na Terra. Efetivamente, “morrer” (término da vida biológica) e desencarnar (ruptura do laço magnético que une espírito ao corpo) são fenômenos que nem sempre acontecem simultaneamente. Os intervalos de tempo para desligar-se do corpo variam para cada Espírito. Para uns pode ser mais dilatado, para outros é uma passagem rápida.
A intermitência de tempo entre a “morte” biológica e a desencarnação tem relação direta com os pensamentos e ações praticados enquanto encarnado. Ninguém topará com o “céu” ou o “inferno” do lado de “lá”, porquanto o “empíreo” e a “geena” são conteúdos mentais construídos aqui no plano físico. Após o fenômeno da fatalidade biológica pela “morte”, cada Espírito irá deparar com o cárcere ou a liberdade a que faz merecer como fruto do desleixo ou disciplina mental que cultivou durante a experiência física.
Para os que alcançaram aproveitar a encarnação, sem viciações e apegos, os que cumpriram a lei de amor, tornam-se menos densos os laços magnéticos que prendem o Espírito ao corpo. Nesse caso, a desencarnação será rápida, proporcionando adequada liberdade, até mesmo antes de sua consumação. Todavia, os indisciplinados que se afundaram nos excessos, nas viciações, nos prazeres mundanos, cunham intensas impressões e vínculos magnéticos na matéria, e unicamente alcançarão a liberação após um intervalo de tempo, análogo ao tempo de desequilíbrio vivido na carne. Contudo, mesmo após a ruptura dos embaraços magnéticos, que o algemavam à vida física, padecerá, por tempo indefinido, dos tormentos disseminados nas vias de suas experiências no mal (eis aí a metáfora do inferno).
Ante os impositivos cristãos, devem-se emitir para os desencarnados, sem exceção, pensamentos de consideração, paz e desvelo, seja qual for a sua condição moral. Temos consciência da imortalidade, da vida além-túmulo.
Allan Kardec nos remete a Jesus, e com o Meigo Rabi certificamos que o fenômeno da “morte” é totalmente diferente. No túmulo de Jesus não há sinal de cinzas humanas, nem pedrarias, nem mármores luxuosos com frases que indiquem ali a presença de alguém. Quando os apóstolos visitaram o sepulcro, na gloriosa manhã da Ressurreição, não havia aí nem luto nem tristeza. Lá encontraram um mensageiro do reino espiritual que lhes afirmou: não está aqui. Os séculos se dissiparam e o túmulo [de Jesus] permanece aberto e vazio, há mais de dois mil anos. Seguindo, pois, com o Cristo, através da luta de cada dia, jamais localizaremos a amargura do luto por ensejo da “morte” de pessoa amada, e sim a vida em plenitude.
Jorge Hessen
http://jorgehessen.net
Referências bibliográficas:
(1) Xavier, Francisco Cândido. Religião dos Espíritos , ditado pelo espírito Emmanuel, Rio de Janeiro: Ed. FEB, 1960
(2) JOÃO, 8:51
(3) _________ Francisco Cândido. Religião dos Espíritos , ditado pelo espírito Emmanuel, Rio de Janeiro: Ed. FEB, 1960
(4) Luto [do latim luctu] – 1. Sentimento de pesar ou de dor pela morte de alguém.

Artigo - Kardec


UM OLHAR SOBRE KARDEC
Nadja do Couto Valle

I. Todo mês e todo dia celebramos Kardec quando estudamos a Doutrina Espírita, quando alargamos o descortino das compreensões mais dilatadas sobre os “comos” e os “porquês”, os motivos e conseqüências da vida e da morte, suas leis e fatos, forças e fenômenos, bem como os da natureza e dos sentimentos humanos; sobre o reconhecimento da Paternidade Divina e da comunhão universal de todos os seres; sobre a mediunidade. E quando praticamos a mediunidade – celebramos Kardec!
E o fazemos do modo como certamente mais agrada ao mestre de Lyon, sem alardes nem fanfarras, com disciplina e rigor metodológico, sinceridade de propósitos e desejo de servir e progredir, boa vontade e o cuidado de preservar a impessoalidade e a pureza doutrinária do Espiritismo.
II. A Tarefa
No entanto, devido ao zelo na busca dessa preservação, frequentemente Kardec é referido como sendo “apenas” o Codificador, “só” o Codificador. Mas um breve momento de reflexão nos informa que codificar é colocar sob um código, dispor, arrumar, grupar idéias afins; formatar, disciplinar idéias e procedimentos visando constituir um corpus teórico com a necessária garantia de coerência interna e externa. Isto será pouco?
A extensão e a natureza do material a ser codificado podem apresentar desafios adicionais à tarefa. No caso de Kardec, o material chegou-lhe de várias localidades do planeta, em muitos cadernos com apontamentos mediúnicos. Diante desse desafio, sua habilidade no trato de seis sistemas lingüísticos, e também a sua capacidade de organização lógica do pensamento e de identificar a essência de cada comunicaçao e de cada assunto, certamente muito o ajudaram a grupar aqueles apontamentos em grandes blocos de idéias e princípios.
Valeram-lhe também, por certo, sua formação erudita e vasta cultura geral, seu bem desenvolvido raciocínio filosófico (que é diferente de conhecerinformações sobre história da filosofia) e a capacidade inegável, encontrada em sua mais alta expressao entre os grandes professores como ele: a de perguntar. Mas de perguntar? Sim, a de perguntar. Muitas vezes, em Ciência e principalmente em Filosofia, isto é particularmente verdadeiro: mais vale uma boa pergunta do que uma boa resposta. É por isto que podemos ter a segurança inabalável de poder dizer que todas as nossas perguntas estão respondidas pelo Espiritismo. Porque Kardec foi capaz de fazer as perguntas certas, que esgotam todos os assuntos, que antecipam todas as conquistas nos vários campos do conhecimento e atuação do homem, que atendem à saudável curiosidade daquele que, em qualquer idade cronológica ou espiritual, quer aprender, esgotando os assuntos em suas nuanças e emprestando ao cotidiano humano na Terra a importância da grandeza das Leis Divinas, alçando-o, portanto, ao nível das importâncias transcendentais.
E, além disso, Kardec aliou a esse tipo superior de pergunta, que necessariamente não tem que vir sob forma interrogativa, a precisão da organização lógico-dedutiva, seqüência e dosagem no trato do conteúdo que tinha em mãos. Isto tudo sem violentar o próprio universo de cada área do conhecimento humano e preservando a clareza didática imprescindível a qualquer educador ou obra que pretende ensinar.
Tudo isto certamente não é pouco e já o torna o grande Codificador.
III. O Método
Mas há ainda uma outra característica extraordinária do grande Mestre de Lyon: o Método. Buscando analisá-lo, precisamos considerar o clima da segunda metade do século XIX, em que se respiravam grandes inovações nos vários campos do conhecimento humano: Biologia, Física, com destaque para a área da energia, Química, Astronomia, Matemática, Estatística, etc.
IV. Angulações na Abordagem ao Conhecimento
Por falar em conhecimento, há que se lembrar a discussão, pela Filosofia, sobre a origem, a natureza e a extensão do conhecimento ou das possibilidades de conhecimento.
4.1 – A origem do conhecimento está nos sentidos, na experiência, segundo o Empirismo, ou na razão, para o Racionalismo, enquanto que o Criticismo de Kant, para o qual convergem as duas vertentes anteriores, assume uma posição relativista quanto ao conhecimento: aceita o valor e a infalibilidade do conhecimento humano dentro dos limites da experiência, mas considera-o inadequado para transcender esses limites, que são o domínio da razão prática, com os imperativos categóricos a fundamentar esse campo que é o da moral.
4.2 – A natureza do conhecimento é definida pelo tipo de relação que se pode estabelecer com o que se quer conhecer, como exemplificam as chamadas ciências humanas e ciências físicas.
4.3 – A extensão do conhecimento diz respeito à possibilidade de podermos atingir o absoluto e a natureza íntima das coisas, inclusive Deus e a alma, como estatui o chamado dogmatismo de Platão e Hegel; ou se nosso conhecimento nos limita ao mundos dos fenômenos, como postulam o agnosticismo e o positivismo de Kant e Comte, não nos autorizando, portanto, a nos pronunciarmos sobre os problemas fundamentais da natureza da matéria, da essência e da imortalidade da alma humana, e da existência de Deus.
Mas, na esteira do tempo, desgastaram-se a vertente do Empirismo de John Locke, datado do século XVII, que postula que todo conhecimento provém dos sentidos, na linha aristotélica, e que possibilitou o Positivismo de Comte, e a vertente do Racionalismo, com destaque para Descartes, que postula que todo conhecimento provém da razão. Esgotadas as possibilidades investigatórias das duas correntes, de uma certa forma estavam paralisadas a Filosofia e a Ciência na Terra, até que o pensamento de Kant veio resolver a questão, conciliando criativamente esses dois caminhos.
Quanto à natureza do conhecimento, importa considerar uma espécie de “personalidade” de cada área de investigação, mas, no caso do século XIX, as chamadas ciências humanas foram desenvolvidas, de um modo geral, sob a ótica da psicologia social de Auguste Comte, que propunha o desenvolvimento delas regido pelo vezo ou angulação das ciências físicas, aplicando as leis destas àquelas, observados os experimentos de laboratório e de mensuração precisa.
Quanto à extensão do conhecimento, no universo intelectual dominado pelo Empirismo e pelo Positivismo, o limite era o da constatação no laboratório, ficando, portanto, fora de suas cogitações o que não pudesse ser suscetível de análise pelos equipamentos e procedimentos laboratoriais. Nesse âmbito incognoscível estariam a existência e a natureza de Deus, a natureza e a imortalidade da alma e a natureza da matéria. Não é a esfera do ateísmo que nega Deus, mas a do agnosticismo, que admite sua impossibilidade de penetrar o conhecimento de tais coisas, cuja natureza é diversa da de seus objetos e conhecimento do mundo físico. Contrapõe-se ao dogmatismo, com destaque para Platão, que postula que é possível conhecer a essência das coisas, inclusive Deus e a alma.
Todo o ambiente no qual Kardec estava mergulhado era de cunho, influência e domínio positivista, tendo sido ele próprio formado nesse ambiente que lhe forjara o rigor científico; mas este, na intimidade do Prof. Rivail, foi conciliado com as inspirações humanas do universo educacional de Pestalozzi.
V. O Desafio e a Solução
Kardec está diante de um grande dilema. Os fenômenos de mediunidade ostensiva, como os raps, mesas girantes e cestas falantes, do ponto de vista de sua origem, inscrevem-se no universo de investigação do Empirismo e do Positivismo. Mas sua natureza e extensão inscrevem-nos nas ciências do campo humano, do ponto de vista dos médiuns e, simultaneamente, n esfera do incognoscível – o campo do Espírito, portanto, transcendental.
O Prof. Rivail resolveu competente e consistentemente a questão, para cuja solução foram indispensáveis a inquestionável ousadia intelectual, a coragem da abordagem dialética, o inquebrantável caráter conciliador, a inabalável confiança na proposta de trabalho e no poder da razão – inaugurando o – apenas aparente – paradoxo da metodologia do que poderíamos chamar de “positivismo transcendental” ou “positivismo metafísico”, de que é exemplo máximo O Livro dos Médiuns.
Com isto, o Prof. Rivail resolveu também as questões historicamente exclusivas da esfera da fé, integrantes de correntes teológicas desgastadas e que não mais se sustentavam – e assim estatuiu intelectualmente a fé raciocinada. Ou seja, codificou na linguagem intelectual da filosofia e da ciência o recado espiritual de conciliação, de que tudo está em tudo. Pôs o constructo teórico do Empirismo e do Positivismo a serviço da metafísica, conciliando o que era tido como inconciliável. Uma tarefa de gigante.
Por isso não é de se estranhar que a formatação, a estrutura e o arcabouço formal da Codificação da Doutrina Espírita sejam positivistas com sua seqüência lógico-objetiva, perguntas encadeadas, esquemas, classificações, hierarquizações, exemplificação e correlação com a chamada realidade objetiva – enquanto que seu conteúdo é predominantemente de natureza transcendental, metafísica, como a existência de Deus e do Espírito, a imortalidade da alma, e a comunicabilidade entre os planos da vida.
Mas a coragem intelectual do Prof. Rivail/Kardec não para aí. Ele mobilizou os vastos recursos que como Espírito armazenou ao longo de encarnações, que ele certamente aproveitou como verdadeiras jóias, para ser também uma espécie de profeta, codificando as antecipações veladas ou não que os Orientadores Espirituais da Humanidade nos traziam. Em suas Notas preciosas, que ele acrescentou valorosamente às instruções desses Benfeitores Espirituais, Kardec sustentou, com linhas argumentativas de natureza filosófica e científica, todas as predições que o Espiritismo oferecia aos homens e que a ciência nada mais tem, feito senão corroborar, confirmar.
Deste ponto de vista, o Prof. Rivail/Kardec torna-se o profeta ou co-profeta na antecipação das conquistas que hoje vão estruturando, corporificando diante de nós, nos vários campos de atuação da humanidade.
Outros aspectos grandiosos da marca inconfundível do processo de Codificação da Doutrina Espírita podem também, e ainda, ser levantados e alinhados. Mas o que aqui dissemos não basta para que ele se erga como O Codificador, esteio encarnado para a consubstanciação da promessa de Jesus à Humanidade?

Fonte: O Reformador      
Retirado de: http://www.omensageiro.com.br/artigos/artigo-307.htm

terça-feira, 25 de setembro de 2012

Artigo - Família



Família e Espiritismo - 

                                     Gilberto Tomasi


É desnecessário justificar a insistência do tema família e Espiritismo, pois é um assunto brindado com várias obras e capítulos dentro da literatura espírita.

Embora seja importante a família bem estruturada e organizada em termos materiais, há também a necessidade de uma estrutura espiritual apegada em bases evangélicas, para que o ambiente do lar esteja sempre harmonizado e equilibrado, permitindo assim que cada um dos seus componentes possam refazer em caráter permanente as suas energias espirituais.

Entretanto, para que a família crie estruturas sólidas e firmes, não basta apenas o trabalho no campo da evangelização. É necessário ainda, que exista uma relação mais profunda e harmoniosa, entre o casal, homem e mulher, que é a base do lar, formando uma agremiação na qual dois seres se conjugam, atendendo os vínculos de afeto, garantindo os alicerces firmes da civilização, porque é através dessa união que funciona o princípio da reencarnação, baseado nas leis divinas, e que possibilita o trabalho executivo dos mais elevados programas de ação do mundo espiritual.

Ë necessário respeitar a individualidade de cada um e o respeito que deve existir ao livre-arbítrio dos componentes da família, haja vista que todas os seus componentes, são espíritos em eterna evolução, com experiências e exposições em diferentes encarnações, e portanto, sofrendo as consequências e os impactos das vidas passadas, que acabam por se tornar significativas e promotoras possibilidades da estabilidade ou instabilidade da família.

Através de encarnações sucessivas, o casal se harmoniza pelo seu nível sócio-econômico, educacional e psicológico e, acima de tudo, pela a individualidade de cada um, ou seja, pelos traços de personalidade, inteligência geral, aptidões, interesses, valores, etc. Por isso é importante o aprendizado da auto-educação moral, que se constitui de exemplos vivos de fraternidade autêntica, dentro do lar e fora dele, e transmitir o fruto desta educação e vivências para aqueles que formam o universo familiar, que são os filhos (Vinícius).

Hermínio de Miranda, comenta que "família é instrumento de redenção individual". Mas, não possuindo equilíbrio, o casal acaba desestruturado espiritualmente (obsessão) e psicologicamente (realidades vividas), e logo não poderá desempenhar o seu papel de orientador, evangelizador e responsável pela família, portanto, ser família espírita, não significa isenção de problemas iguais a de outras famílias não espíritas.

O espírito traz consigo uma vocação para o casamento, que é o primeiro passo para a formação da família. Inicialmente essa vocação é impulsionada pelo desejo sexual, primitivamente mais voltado à procriação, e depois pela necessidade que o espírito tem de se associar à alguém nas suas realizações. O homem e a mulher buscam um companheiro para as suas necessidades e para, principalmente, o aprimoramento espiritual de ambos, fortalecendo assim os laços familiares.

"Sendo um animal social, geralmente monogâmico, o homem, na totalidade, somente se realiza quando divide necessidades e aspirações na conjuntura elevada do lar, portanto," portanto, na família não deve predominar o exercício do egoísmo, decompensação emocional restrita, onde um suga o alimento emotivo do outro. Isso não é família.

É no esforço comum entre marido e mulher, pais e filhos, esclarecidos sob a luz do evangelho, que a família pode resgatar o seu passado, conquistando no presente haveres para o futuro.

Todo comportamento humano pode ser examindado pelo binômio essência/aparência. Na família, há o relacionamento real e o que transparece, os quais nem sempre coincidem. Casais e famílias, pais e filhos, aparentemente integrados e felizes, podem estar desenvolvendo conflitos enormes, desajustes homéricos.

Outros que deixam transparecer suas divergências, talvez possuam um relacionamento profundo com ligações bastante sólidas. A impressão que se causa ( e não a que se quer causar) aos outros tem que ser real. Todo fingimento é desonesto.

O termômetro do casamento, e consequentemente da harmonia no lar, é o carinho. Quando ele termina, ou não existe nas conversas, no toque, no relacionamento sexual, há com certeza um aviso de rompimento parcial ou total de convivência. E o que faz com que o carinho, diminua ou desapareça: é o mando, a autoridade, o exclusivismo, a superioridade, desilusão, adultério, e o comportamento psicótico e o desprezo uni ou bi-lateral.

Existindo influência espiritual ou de terceiros, sejam entidades amigas ou inimigas sobre a família, quando ela é benéfica, tudo bem, pois existem espíritos simpáticos que se aproximam dos lares com a intenção de manter ou proporcionar o equilíbrio no relacionamento interpessoal.

No entanto, existindo influenciação maléfica, pode causar desequilíbrios tão maiores quanto maior for o grau de aceitação do sugestionamento espiritual.

E em ambos casos essa influência não recai apenas sobre o casal, mas em todos os familiares, determinando assim o clima ou psicosfera de todo o lar. O passado espiritual do casal, na ótica da reencarnação, corresponde a uma influência realmente muito importante na união de hoje. O casamento, não configura mero encontro ou mera ligação acidental entre as pessoas, mas faz parte de um processo antigo de acúmulo de experiências dos dois espíritos em busca da maturação espiritual. Portanto, a chamada afinidade, a compatibilidade de gênios, a compreensão mútua, podem ser aquisições antigas que são reafirmadas no presente.

Mas,quando as influências negativas predominam e encontram meio de proliferação, as consequencias obsessivas são diversas. O casal e os demais familiares passas a viver um inferno doméstico que pode levar a qualquer caminho.

E não existe maneira mais apropriada do que o bom relacionamento familiar para atingir os objetivos da familiares. Isso significa que o companheirismo, a solidariedade, os interesses comuns e a participação nas atividades do outro deveriam ser uma constante no casamento e na família.

Vance packard, jornalista americano, após quatro anos de pesquisa sobre o casamento, observou sete causas básicas de sucesso matrimonial:

1 - intensa capacidade de afeto, envolvida por grande consideração pelo outro.
2 - maturidade emocional
3 - habilidade em se comunicar (aqui grande problema)
4 - disposição constante de se alegrar com o outro e participar de acontecimentos com ele.
5 habilidade em lidar com tensões e diferenças, de forma sempre construtiva.
6 - disposição e bom humor em relação ao sexo.
7 - conhecimento e aceitação dos limites do outro (vida a dois - ed.tres).
É preciso, então, ser generoso, receptivo e afetuoso, além de tolerante para com os limites do outro.
Finalizando, Lembremos as palavras de Emannuel: “ A melhor escola ainda é o Lar. “

Consultas:
A Família e o Espiritismo (USE)
Vida a Dois (ed.três)
Seara dos Médiuns pág. 20
Deolindo Amorim (recordando deolindo)
Livro dos Espíritos
Evangelho Segundo o Espiritismo
Vida e Sexo (Emmanuel)
Gilberto L Tomasi
 

Artigo



 

A Teoria do Design Inteligente e o Espiritismo


Faz cinco anos, em um dos vestibulares realizados pela Universidade Federal do Paraná, uma das questões propostas versou sobre o evolucionismo, o criacionismo e a então novíssima corrente de pensamento conhecida pelo nome de “Design Inteligente”.
Em face dessas três correntes de ideias, como se posiciona a Doutrina Espírita?
É por demais conhecida nossa opinião de que, entre o evolucionismo de Darwin e o criacionismo bíblico, não há dúvida de que o Espiritismo ficaria sempre com o primeiro, uma vez que a evolução da alma e dos seres viventes verificou-se lentamente, no correr dos milênios, e não como narra o Gênesis. É, porém, mais que evidente que, conforme propõem os partidários da Teoria do Design Inteligente, existem no mundo estruturas biológicas complexas demais para terem surgido tão-somente nas condições descritas por Darwin, pela acumulação gradual de modificações aleatórias.
Tudo nos leva, então, a crer que houve e há nesse processo a intervenção de inteligências extracorpóreas, fato que Emmanuel afirma expressamente em seu livro “A Caminho da Luz”, psicografado por Chico Xavier em 1938, muito antes de terem ganhado notoriedade as ideias da citada corrente de pensamento, que entende existir um “designer”, um projetista inteligente, para explicar as maravilhas da Criação.
Essa compreensão, aliás, salta aos olhos com a simples leitura dos textos que compõem o estudo metódico, publicado nas edições semanais desta revista, da obra “Evolução em Dois Mundos”, de André Luiz, psicografada pelos médiuns Waldo Vieira e Chico Xavier em 1958, na qual a participação dos Instrutores Espirituais, supervisionados pelo Cristo, é destacada a todo o momento. (Eis olink que remete a uma das partes do mencionado estudo, publicada na edição passada: http://www.oconsolador.com.br/ano5/247/estudandoaserieandreluiz.html.)
Um dos partidários da Teoria do Design Inteligente (TDI) é o professor e doutor Marcos Eberlin, presidente da Sociedade Internacional de Espectrometria de Massas, membro da Academia Brasileira de Ciências e docente no Instituto de Química da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).
Em entrevista concedida ao jornalista Michelson Borges, o Dr. Eberlin explica o que é a Teoria do Design Inteligente. A entrevista pode ser vista na íntegra clicando-se neste link: http://www.entrevistas.criacionismo.com.br/2010/05/professor-da-unicamp-defende-design.html.)
Eis as palavras do professor Eberlin:
“A TDI é uma teoria científica, defendida por uma comunidade crescente de cientistas gabaritados do mundo todo e de várias áreas, e que procura estabelecer metodologia científica robusta capaz de detectar sinais de inteligência na vida e no universo. Através desses métodos, a TDI reinterpreta todo o arsenal de dados riquíssimos e com detalhamento altíssimo disponíveis hoje sobre o funcionamento da vida e do universo. E a partir dessa análise cuidadosa, sem pré-conceitos, desapaixonada e racional, feita dentro de todo o rigor da metodologia científica que rege as ciências históricas, a TDI conclui, procurando seguir os dados aonde quer que eles levem, que esses dados apontam com muita segurança para uma mente inteligente e consciente como a única causa conhecida, necessária e suficiente para a vida e o universo. Ou seja, o design detectado no universo e na vida não é aparente ou ilusório, mas real e inteligente.”
Seria a TDI um tipo de criacionismo?
“O criacionismo tem várias vertentes, mas a principal é aquela que assume que um Ser todo-poderoso projetou e criou o universo e a vida. O criacionismo bíblico vai muito mais longe e dá nome e endereço ao Criador; descreve Sua intenção e Seus métodos, e faz muitas outras afirmações que estão muito além da capacidade da Ciência de investigá-las, devido às muitas limitações da metodologia científica. Ou seja, o criacionismo parte de pressuposições filosóficas e teológicas, fecha com essas pressuposições e confere a elas racionalidade quando encontra na natureza e, eventualmente, na Ciência suporte às suas teses. A TDI, porém, não tem absolutamente nada a ver com teses criacionistas, de qualquer vertente. Nelas não se inspira e não se apoia. A TDI busca, pura e simplesmente, da forma mais honesta possível, escrutinar os dados científicos brutos e interpretá-los corretamente, sem absolutamente nenhum pressuposto, nenhuma predefinição de como ou qual seria a nossa conclusão. Concluímos por uma mente inteligente como causa primeira da vida e do universo pela obrigação que todos os cientistas têm de seguir sempre as evidências, as informações fornecidas pelas caixas-pretas da vida e do universo, deixando ao máximo nossa subjetividade, naturalista ou teísta, de lado.”
A química (que é a área de estudos do Dr. Eberlin) revela o design inteligente?
“Muitos usam comparações morfológicas, comparam bicos de passarinhos, ossos, embriões, cores de asas de mariposas. Mas é através da química, em nível molecular, que entendemos mesmo como a vida e o universo funcionam. É através da Química que aprendemos a ‘língua’ das moléculas e podemos assim traduzir corretamente os ecos moleculares, os quais transmitem os segredos de nossa existência. É através da Química que percebemos que a vida não é coisa de amador, não! Vida é coisa de profissional! E profissional gabaritado, especializado! Que orquestrou os diversos códigos e a informação zipada, encriptada e compartimentalizada do DNA, tipo hard-disk. A arquitetura top-down algorítmica da vida, sua lógica estonteante e hiperotimizada. E elaborou o código de especialização celular das histonas, baseado em reações químicas ultrassincronizadas e ajustadas. E elaborou os planos corporais que nem sequer sabemos onde e como estão armazenados.”
Chamamos a atenção para este trecho da entrevista acima: “a vida não é coisa de amador”, e sugerimos ao leitor compará-lo com as respostas dadas pelos Espíritos Superiores nas questões 8 e 9 de “O Livro dos Espíritos”, a principal obra do Espiritismo:
L.E., n. 8:
– Que se deve pensar da opinião dos que atribuem a formação primária a uma combinação fortuita da matéria, ou, por outra, ao acaso?
“Outro absurdo! Que homem de bom senso pode considerar o acaso um ser inteligente? E, demais, que é o acaso? Nada.” A harmonia existente no mecanismo do Universo patenteia combinações e desígnios determinados e, por isso mesmo, revela um poder inteligente. Atribuir a formação primária ao acaso é insensatez, pois que o acaso é cego e não pode produzir os efeitos que a inteligência produz. Um acaso inteligente já não seria acaso. (Nota de Allan Kardec.)
L.E., n. 9:
– Em que é que, na causa primária, se revela uma inteligência suprema e superior a todas as inteligências?
“Tendes um provérbio que diz: Pela obra se reconhece o autor. Pois bem! Vede a obra e procurai o autor. O orgulho é que gera a incredulidade. O homem orgulhoso nada admite acima de si. Por isso é que ele se denomina a si mesmo de espírito forte. Pobre ser, que um sopro de Deus pode abater!” Do poder de uma inteligência se julga pelas suas obras. Não podendo nenhum ser humano criar o que a Natureza produz, a causa primária é, conseguintemente, uma inteligência superior à Humanidade. Quaisquer que sejam os prodígios que a inteligência humana tenha operado, ela própria tem uma causa e, quanto maior for o que opere, tanto maior há de ser a causa primária. Aquela inteligência superior é que é a causa primária de todas as coisas, seja qual for o nome que lhe deem. (Nota de Allan Kardec.)

Reflexão

QUEM SÃO OS FILHOS?

“As crianças são os seres que Deus manda a novas existências. Para que não lhe possam imputar excessiva severidade, dá-lhes ele todos os aspectos da inocência. Ainda quando se trata de uma criança de maus pendores, cobrem-se-lhe as más ações com a capa da inconsciência. Essa
inocência não constitui superioridade real com relação ao que eram antes, não. É a imagem do que deveriam ser e, se não o são, o conseqüente castigo exclusivamente sobre elas recai.
Não foi, todavia, por elas somente que Deus lhes deu esse aspecto de inocência; foi também e sobretudo por seus pais, de cujo amor necessita a fraqueza que as caracteriza. Ora, esse amor se enfraqueceria grandemente à vista de um caráter áspero e intratável, ao passo que, julgando seus filhos bons e dóceis, os pais lhes dedicam toda a afeição e os cercam dos mais minuciosos cuidados. Desde que, porém, os filhos não mais precisam da proteção e assistência que lhes foram dispensadas durante quinze ou vinte anos, surge-lhes o caráter real e individual em toda a nudez. Conservam-se bons, se eram fundamentalmente bons; mas, sempre irisados de matizes que a primeira infância manteve ocultos.
Como vedes, os processos de Deus são sempre os melhores e, quando se tem o coração puro, facilmente se lhes apreende a explicação.
Com efeito, ponderai que nos vossos lares possivelmente nascem crianças cujos Espíritos vêm de mundos onde contraíram hábitos diferentes dos vossos e dizei-me como poderiam estar no vosso meio esses seres, trazendo paixões diversas das que nutris, inclinações, gostos, inteiramente opostos aos vossos; como poderiam enfileirar-se entre vós, senão como Deus o determinou, isto é, passando pelo tamis da infância? Nesta se vêm confundir todas as idéias, todos os caracteres, todas as variedades de seres gerados pela infinidade dos mundos em que medram as criaturas. E vós mesmos, ao morrerdes, vos achareis num estado que é uma espécie de infância, entre novos irmãos. Ao volverdes à existência extraterrena, ignorareis os hábitos, os costumes, as relações que se observam nesse mundo, para vós, novo. Manejareis com dificuldade uma linguagem que não estais acostumado a falar, linguagem mais vivaz do que o é agora o vosso pensamento.” (Allan Kardec, O livro dos espíritos, 76. ed., perg. 385).

“Desde pequenina, a criança manifesta os instintos bons ou maus que traz da sua existência anterior. A estudá-los devem os pais aplicar-se. Todos os males se originam do egoísmo e do orgulho. Espreitem, pois, os pais os menores indícios reveladores do gérmen de tais vícios e cuidem de combatê-los, sem esperar que lancem raízes profundas. Façam como o bom jardineiro, que corta os rebentos defeituosos à medida que os vê apontar na árvore.” (Allan Kardec, O evangelho segundo Espiritismo, 104. ed., p. 251-252).
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sexta-feira, 21 de setembro de 2012

Filhos na Visão Espírita



O PERÍODO INFANTIL

A infância

“[...] A criança necessita de cuidados especiais, que somente a ternura materna lhe pode dispensar, ternura que se acresce da fraqueza e da ingenuidade da criança. Para uma mãe, seu filho é sempre um anjo e assim era preciso que fosse, para lhe cativar a solicitude. Ela não houvera podido ter-lhe o mesmo devotamento, se, em vez da graça ingênua, deparasse nele, sob os traços infantis, um caráter viril e as idéias de um adulto e, ainda menos, se lhe viesse a conhecer o passado.
Aliás, faz-se necessário que a atividade do princípio inteligente seja proporcionada à fraqueza do corpo, que não poderia resistir a uma atividade muito grande do Espírito, como se verifica nos indivíduos grandemente precoces. Essa a razão por que, ao aproximar-se-lhe a encarnação, o Espírito entra em perturbação e perde pouco a pouco a consciência de si mesmo, ficando, por certo tempo, numa espécie de sono, durante o qual todas as suas faculdades permanecem em estado latente. E necessário esse estado de transição para que o Espírito tenha um novo ponto de partida e para que esqueça, em sua nova existência, tudo aquilo que a possa entravar. Sobre ele, no entanto, reage o passado. É assim que renasce maior, mais forte, moral e intelectualmente, sustentado e secundado pela intuição que conserva da experiência adquirida.
A partir do nascimento, suas idéias tomam gradualmente impulso, à medida que os órgãos se desenvolvem, pelo que se pode dizer que, no curso dos primeiros anos, o Espírito é verdadeiramente criança, por se acharem ainda adormecidas as idéias que lhe formam o fundo do caráter. Durante o tempo em que seus instintos se conservam amodorrados, ele é mais maleável e, por isso mesmo, mais acessível às impressões capazes de lhe modificarem a natureza e de fazê-lo progredir, o que torna mais fácil a tarefa que incumbe aos pais.
O Espírito, pois, enverga temporariamente a túnica da inocência e, assim, Jesus está com a verdade, quando, sem embargo da anterioridade da alma, toma a criança por símbolo da pureza e da simplicidade.” (Allan Kardec, O Evangelho segundo Espiritismo, 104. ed., p. 154-155).